O município do Cartaxo vai avançar com a construção de um novo ecocentro, num investimento próximo de um milhão de euros financiado pelo Portugal 2030, para aumentar a capacidade de receção e combater o abandono ilegal de resíduos.
O presidente da Câmara do Cartaxo, João Heitor, afirmou à agência Lusa que o novo equipamento terá capacidade para “triplicar” o volume de resíduos atualmente recebido no ecocentro existente, cuja dimensão já se revela insuficiente para responder às necessidades do concelho.
“O novo ecocentro, além de ter uma capacidade muito maior do que tem o ecocentro atual, vai triplicar essa capacidade”, afirmou o autarca, destacando a criação de um sistema que permitirá aos munícipes depositar resíduos 24 horas por dia, sete dias por semana.
Segundo João Heitor, o equipamento contará com uma área preparada para receção de resíduos fora do horário de funcionamento, possibilitando que os utilizadores procedam ao depósito de forma autónoma, mantendo-se mecanismos de controlo e regras de utilização.
O autarca considera que esta solução poderá contribuir para reduzir “situações de deposição ilegal de resíduos no espaço público ou em terrenos privados”, uma realidade que classifica como transversal aos municípios da região.
“Quando trabalhámos o projeto foi muito nesse sentido, para que as pessoas possam ter ali uma área onde, a qualquer momento, podem deixar as suas coisas e não ter de as deixar no espaço público”, afirmou.
De acordo com o presidente da câmara, o novo ecocentro ficará integrado na área onde funciona a estação de transferência de resíduos do concelho, permitindo melhorar a logística das operações e facilitar os acessos aos veículos responsáveis pela recolha dos contentores.
A infraestrutura foi também dimensionada para responder ao crescimento futuro da população do concelho, embora o autarca tenha sublinhado que a gestão de resíduos exige intervenções complementares ao longo de toda a cadeia de recolha e tratamento.
Questionado sobre o calendário da empreitada, João Heitor explicou que o processo se encontra na fase de adjudicação, prevendo que a obra possa arrancar ainda este ano.
A execução deverá prolongar-se por cerca de 18 meses, com entrada em funcionamento prevista para o primeiro semestre de 2028.
O investimento deverá ultrapassar um milhão de euros, já com IVA e custos associados ao projeto, sendo financiado por fundos comunitários no âmbito do Portugal 2030.
O autarca, que preside também ao conselho de administração da Ecolezíria, enquadrou a construção do novo equipamento numa estratégia mais ampla de reforço das infraestruturas de gestão de resíduos na área de influência da empresa intermunicipal.
Segundo explicou, estão também previstos investimentos em novas infraestruturas de recolha e transferência de resíduos em municípios como Salvaterra de Magos, Benavente, Almeirim e Alpiarça, procurando melhorar as condições de encaminhamento e tratamento dos resíduos produzidos na região.
“Há uma consciência global de todos os municípios da Ecolezíria e estamos a fazer esse esforço em todos os concelhos”, concluiu.
