A Câmara de Coruche fechou 2025 com uma taxa de execução do Plano Plurianual de Investimentos de 37,5%, o registo mais baixo dos últimos anos, segundo o relatório de contas apresentado na reunião de Câmara de quarta-feira, 15 de abril. Apesar da fraca execução do investimento, o município registou uma forte cobrança de receita e terminou o ano com elevada liquidez.
A prestação de contas foi aprovada por maioria, num debate em que a oposição criticou duramente a discrepância entre os valores orçamentados e a execução efetiva. Francisco Gaspar (PSD) questionou: “Como é que tivemos o nível de uma taxa de execução do investimento de 37,5% quando em 2024 tínhamos tido 56,8 e já tinha sido a pior?”.
Gaspar apontou atrasos em obras como o centro de saúde, o núcleo museológico da Casa Tradicional da Branca, a área empresarial do Sorraia e intervenções em estradas e passeios, acusando o relatório de apresentar projetos “que nem praticamente não tiveram execução”. “O investimento é uma vergonha em bom português”, acrescentou.
Dionísio Mendes (Volta Coruche) reforçou: “A despesa de capital caiu 26,8%. Isto é brutal. Quando se precisa de fazer investimento e quando mesmo assim, foram extraídos aí como investimentos, projectos que nem praticamente não tiveram execução”. Mendes criticou a Câmara por “penalizar os munícipes com impostos municipais” num contexto de superávit, questionando a racionalidade de contrair empréstimos para pequenas obras quando há folga financeira.
Osvaldo Ferreira (Volta Coruche) defendeu que o município foi gerido “mais como uma empresa que visa o lucro do que como uma entidade que deve acrescentar valor à população”. “O saldo de gerência aumentou mais de 6 milhões € num único ano. Temos uma situação que merece ser claramente explicada: o que falhou ao nível da execução?”, interrogou.
Do lado do executivo, a vereadora Susana Cruz (PS) contrapôs que “a baixa execução não se prende apenas e única e exclusivamente pela gestão municipal, mas também com a realidade do mercado atual ao nível da contratação pública”. Sublinhou que os últimos quatro anos viram um investimento total de 24,2 milhões de euros, acima dos valores dos 20 anos anteriores.
Segundo os documentos, a despesa de investimento rondou os 6,6 milhões de euros, enquanto a receita arrecadada chegou aos 32,8 milhões, com uma taxa de execução global de 103,6%. A receita corrente atingiu 26,6 milhões de euros, um valor recorde, e o saldo de tesouraria subiu para cerca de 23,7 milhões de euros.
O presidente Nuno Azevedo (PS) enquadrou os números como uma “fotografia de um ano concreto”, insistindo que a solidez financeira deverá agora traduzir-se em maior investimento. A conta de gerência segue para apreciação nos órgãos municipais, num contexto de divisão política sobre a gestão financeira e a ação no terreno.
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