Coruche recebe esta quarta-feira, 14 de maio, a 34.ª edição do Encontro de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) da Arquidiocese de Évora, iniciativa que deverá juntar cerca de três mil alunos e professores de várias escolas da região.

Sob o tema “Moral Pax”, dedicado à paz, o encontro volta a afirmar-se como um dos maiores momentos de convívio e partilha da disciplina, envolvendo atividades de expressão artística, reflexão e animação ao longo do dia.

O responsável diocesano pela disciplina, padre Manuel José Marques, destaca o simbolismo do encontro numa altura em que a EMRC enfrenta vários desafios, desde a falta de professores à redução do número de alunos inscritos em algumas escolas da arquidiocese.

Apesar dessas dificuldades, a disciplina continua a reunir cerca de seis mil alunos, do ensino básico ao secundário, em toda a diocese de Évora. “Seis mil alunos é muita gente”, sublinha o sacerdote, defendendo a importância da disciplina no contexto atual.

Antes da pandemia, o encontro diocesano chegou a reunir entre quatro mil e quatro mil e quinhentos participantes. Embora os números tenham diminuído, o responsável considera que a iniciativa mantém a sua relevância enquanto espaço de encontro entre jovens de diferentes realidades escolares.

“O encontro é uma festa, é o resultado do trabalho feito ao longo do ano”, refere Manuel José Marques, acrescentando que a iniciativa procura reforçar valores como a participação, o sentido de comunidade e a relação com o outro.

Além dos desafios ligados à escassez de docentes, a disciplina confronta-se também com mudanças sociais e tecnológicas que alteraram a forma como os jovens comunicam e se relacionam. O padre Manuel José Marques alerta para os efeitos do isolamento provocado pelo uso excessivo das tecnologias e das redes sociais.

“Os instrumentos são mais subtis. Um telemóvel pode ser uma ‘arma’ que isola”, afirma, defendendo que a Educação Moral e Religiosa Católica deve continuar a ser um espaço de aprendizagem humana e emocional.

Sendo uma disciplina facultativa, a frequência depende da escolha dos alunos e das famílias. Ainda assim, o responsável diocesano garante que muitos encarregados de educação valorizam o contributo da EMRC para a formação pessoal dos jovens, independentemente da dimensão religiosa.

“É uma formação humana, cívica, para a vida”, sustenta.

O encontro em Coruche surge, assim, como um sinal de continuidade e vitalidade da disciplina na Arquidiocese de Évora, numa altura em que o futuro da EMRC continua dependente da capacidade de responder às mudanças demográficas, educativas e sociais.