A Feira de Benavente abriu portas esta sexta-feira, 4 de setembro, na Zona Ribeirinha, com uma imagem renovada e uma aposta assumida na recuperação das origens do certame. Agricultura, cavalos, tauromaquia, gastronomia e música juntam-se, até 13 de setembro, num espaço que o Município pretende transformar numa montra da identidade e da atividade económica do concelho.
A abertura marcou o início de dez dias de feira e mostrou desde logo uma das principais mudanças introduzidas na edição de 2026. Ao lado das tradicionais tasquinhas, dos divertimentos e das associações locais, surgem este ano máquinas e alfaias agrícolas, numa tentativa de voltar a aproximar o certame daquele que foi, historicamente, um dos seus principais fundamentos.
A presidente da Câmara Municipal de Benavente, Sónia Ferreira, explicou ao Notícias do Sorraia que a intenção passou precisamente por recuperar essa ligação às origens.
“Quisemos voltar um bocadinho à essência e à história da Feira de Benavente, que era precisamente isso, ligada à agricultura, ao comércio”, afirmou a autarca, recordando que se trata de “uma das feiras mais antigas do distrito de Santarém”.
Para Sónia Ferreira, a edição de 2026 representa por isso mais do que uma alteração estética ou um reforço do programa de animação. “Quisemos dar um cunho especial já este ano à nossa Feira de Benavente, trazendo precisamente a agricultura, os cavalos, o toureio para dentro da Feira de Benavente”, explicou.
Agricultura regressa ao centro da Feira
A exposição de máquinas e alfaias agrícolas constitui uma das principais novidades deste ano. O objetivo é dar visibilidade às empresas do setor e recordar a importância que a agricultura continua a assumir na economia do concelho e da região. A própria Câmara Municipal apresentou esta componente como uma das grandes apostas da edição de 2026.
Na Zona Ribeirinha, a ligação ao mundo rural ganha um significado particular. É neste espaço que se realiza a tradicional picaria de Benavente, manifestação fortemente associada aos campinos, aos cavalos e à cultura ribatejana.
“Estamos no espaço célebre onde se realiza a maior picaria do nosso país, onde atrai centenas de campinos e cabrestos”, salientou Sónia Ferreira.
A autarca explica que foi também por essa razão que o Município procurou trazer para a Feira elementos que representam diretamente o território.
“Quisemos trazer já para este ano aqui uma demonstração com agricultores, com máquinas agrícolas”, afirmou.
A aposta enquadra-se numa identidade local profundamente marcada pelas atividades rurais. A própria história do concelho está ligada às grandes casas agrícolas, à produção cerealífera e pecuária e à figura do campino, cuja presença no território é documentada desde há vários séculos.
Tasquinhas continuam a ser coração da Feira
Apesar das novidades, há elementos que permanecem intocáveis. As tasquinhas das associações e coletividades voltam a ocupar um lugar central na Feira, transformando a Zona Ribeirinha num grande espaço de convívio e gastronomia.
Durante os dez dias, diferentes associações locais apresentam pratos tradicionais, dos cozidos às carnes, passando pelo bacalhau, petiscos, sopas e especialidades ligadas à cozinha ribatejana.
Para muitas coletividades, a Feira representa também um dos momentos mais importantes do ano para a angariação de receitas destinadas a financiar a atividade associativa.
Esta importância das tasquinhas não é recente. Já em discussões municipais de anos anteriores era salientada a forte afluência à restauração e o peso das receitas da Feira para associações e coletividades do concelho.
É precisamente essa componente associativa que o Município pretende preservar, ao mesmo tempo que procura alargar o alcance do certame.
Concertos ganham outro peso
A segunda grande mudança está no palco. A Câmara de Benavente reforçou significativamente a componente musical, procurando transformar as noites da Feira num fator adicional de atração de público.
Sónia Ferreira assume que essa foi uma aposta deliberada.
“Quisemos também trazer a parte cultural mais forte a este evento”, explicou.
A presidente da Câmara justifica também a realização da Feira uma semana mais cedo do que era habitual com a intenção de aproveitar o período anterior ao início do novo ano letivo.
“Realizámos a Feira uma semana antes do que era tradição. Isto porquê? Porque permite que as famílias, antes de se iniciar um novo ano letivo, ainda há muitas famílias que estão de férias e, portanto, poderem viver em pleno esta Feira e poderem aproveitar também as noites”, afirmou.
E é precisamente nas noites que se encontram alguns dos nomes mais conhecidos do programa.
“Os nossos concertos são muito apelativos para que todos possam vir e assistir a tudo”, sublinhou Sónia Ferreira.
Romana foi o primeiro grande nome a subir ao palco, com concerto marcado para a noite de abertura. Nos próximos dias passam pela Feira, entre outros, Khiaro, Syro e Maninho. A programação oficial inclui ainda fado, folclore, dança, cantares tradicionais, DJ e uma noite dedicada à década de 1980.
Cavalos e toureio mantêm identidade ribatejana
A componente equestre acompanha igualmente vários dias da Feira. Os batismos equestres, em parceria com a Escola de Equitação Passo a Passo, começaram logo no primeiro dia e prosseguem durante o fim de semana.
Este sábado, 5 de setembro, há também uma demonstração de toureio, numa parceria com a Associação Escola de Toureio José Falcão e a Escola de Toureio das Lezírias. O programa inclui ainda a participação do Cavalinho da Sociedade Filarmónica Benaventense.
A conjugação entre cavalos, agricultura e tauromaquia assume, assim, um papel central na nova abordagem defendida pelo executivo municipal, procurando que a Feira volte a representar de forma mais evidente aquilo que caracteriza Benavente e a Lezíria.
Dez dias de animação na Zona Ribeirinha
Depois da abertura com Romana, o programa prossegue este sábado com uma manhã desportiva, batismos equestres, demonstração de toureio e concerto de Khiaro, às 22h00.
No domingo, 6 de setembro, haverá um Encontro de Cantares Tradicionais e, às 23h00, uma Noite Anos 80 com DJ João Ildefonso.
Seguem-se duas noites dedicadas à dança, a 7 e 8 de setembro. A 9 de setembro realiza-se uma Noite de Fados, promovida em parceria com a Associação Benaventense Amigos do Fado.
A quinta-feira, dia 10, será dedicada sobretudo ao público mais jovem. ShelUvShugo atua às 21h00, seguindo-se Syro, às 22h00, e os DJ Time Travel à meia-noite.
Maninho é o cabeça de cartaz da sexta-feira, 11 de setembro, com concerto às 22h30. No sábado realiza-se o Festival de Folclore, promovido em parceria com o Rancho Típico Saia Rodada.
A edição termina no domingo, 13 de setembro, com a caminhada Mais Lezíria na Feira, cuja partida está prevista para as 8h30.
Uma Feira que procura voltar a ser espelho de Benavente
A edição de 2026 procura, assim, encontrar um equilíbrio entre aquilo que a Feira sempre representou e a necessidade de atrair novos públicos.
As tasquinhas continuam, os divertimentos permanecem e as coletividades voltam a ser protagonistas. Mas, entre tratores, alfaias agrícolas, cavalos, demonstrações de toureio e um cartaz musical reforçado, a Feira apresenta-se este ano com uma ambição diferente.
É uma mudança que Sónia Ferreira resume na vontade de recuperar a “essência e a história” de um certame ligado desde as suas origens à agricultura e ao comércio.
Até 13 de setembro, a Zona Ribeirinha volta a ser ponto de encontro para milhares de visitantes. Desta vez, a Câmara Municipal quer que quem entre na Feira não encontre apenas festa e animação, mas também um retrato mais completo de Benavente, da economia às tradições, do associativismo à gastronomia e da cultura ribatejana aos novos públicos que o certame procura conquistar.
