O ministro da Administração Interna anunciou hoje que o SIRESP vai manter-se, considerando que “não é possível” ter “um sistema completamente diferente”, e avançou com um reforço da rede para que exista resposta em momentos de crise.

“Não é possível, numa altura destas e a pensar no futuro, que haja um sistema completamente diferente: Este sistema tem virtualidades e falhou em quatro ou cinco situações”, disse Luís Neves, sublinhando que do ponto de vista técnico o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) tem “debilidades e fragilidades”, mas que estão a ser debeladas para que em “momentos de calamidade, urgência e de falência possa haver uma resposta”.

Na cerimónia de apresentação das recomendações do grupo de trabalho criado pelo Governo há cerca de um ano para encontrar uma alternativa ao SIRESP, o ministro afirmou que “esta é a única solução”.

Entre as recomendações do grupo de trabalho está um novo sistema nacional de comunicações críticas e a criação de uma entidade pública especializada, propondo o grupo de trabalho uma fase de transição entre o atual sistema e a futura rede, em que o SIRESP funcionaria como um sistema híbrido. Segundo o grupo de trabalho, a transição para o novo sistema de comunicações críticas está prevista poder demorar mais de 10 anos.

Confrontado com estas conclusões, Luis Neves afirmou que “há matérias de curto e médio prazo para este Governo e há matérias para dois governos”.

“Um relatório quando é apresentado ao Governo pode ser todo ele cumprido ou pode ter uma área de reflexão”, disse, avançando que “não está em cima da mesa” a decisão de criação de uma nova entidade pública especializada.

“São recomendações, a decisão cabe a nós tomar”, afirmou.

O ministro anunciou ainda que a empresa responsável pela gestão e manutenção da rede SIRESP vai ter “a curto prazo” uma liderança, que não tem atualmente.

A empresa pública Siresp S.A. está sem liderança há quase dois anos, depois de Paulo Viegas Nunes, major-general do Exército especialista em sistemas de informações, ter deixado a presidência no final de março de 2024.

A rede de comunicações SIRESP tem sido marcada por várias polémicas desde que foi criada, tendo sofrido as maiores alterações após as falhas no combate aos incêndios de 2017, mas voltou a ter limitações no apagão de 2025 e na tempestade Kristin que afetou a região centro no fim de janeiro.

A rede SIRESP é a rede de comunicações exclusiva do Estado português para o comando, controlo e coordenação de comunicações em todas as situações de emergência e segurança, responde às necessidades dos mais de 40.000 utilizadores e suporta anualmente um número superior a 35 milhões de chamadas.

O ministro da Administração Interna anunciou hoje um investimento de cerca de 36 milhões na rede SIRESP para ser concretizado até ao final de 2027, um reforço que o ministro caracterizou como “robusto com medidas concretas e calendarizadas”.