Santarém assinalou na manhã de sábado, 25 de abril, os 52 anos da Revolução dos Cravos com a tradicional cerimónia Cravos para Salgueiro Maia, no Jardim dos Cravos, junto à estátua do capitão de Abril.

Perante autarcas, militares, representantes associativos e populares, o presidente da Câmara, João Leite, destacou a data como um momento de memória, compromisso e responsabilidade, sublinhando o papel de Salgueiro Maia na partida da coluna militar que mudou Portugal.

No discurso, o autarca evocou o ambiente de silêncio e ausência de liberdade que marcou o país antes do 25 de Abril de 1974, lembrando que foi em Santarém que surgiu a força que abriu caminho à democracia. João Leite afirmou que Salgueiro Maia tinha apenas 29 anos quando liderou a coluna, mas estava certo de que seguia “do lado certo da História”, e acrescentou que o gesto do capitão evitou o derramamento de sangue na Praça do Comércio, tornando-se um dos momentos mais simbólicos da Revolução. O presidente da Câmara procurou também enquadrar Abril no presente, defendendo que a liberdade conquistada em 1974 e depois consolidada pela Constituição da República deu origem ao poder local democrático, que considerou uma das maiores conquistas do regime.

Segundo João Leite, as autarquias aproximaram a democracia das populações, deram rosto à ação pública e passaram a ter um papel central na vida quotidiana das comunidades.

Na intervenção, o autarca defendeu ainda que celebrar Abril implica também continuar o seu legado, através de uma maior eficiência do Estado, de mais proximidade entre quem decide e quem é afetado pelas decisões e de um reforço da autonomia municipal. João Leite insistiu na necessidade de aprofundar a descentralização com meios, previsibilidade e estabilidade, sustentando que os municípios devem poder planear e executar com responsabilidade e capacidade própria.

O discurso incluiu ainda críticas ao funcionamento do poder local no atual mandato, com o presidente a considerar que situações de bloqueio institucional podem fragilizar a ação pública e a resposta às necessidades da população. Nesse contexto, defendeu que quem vence eleições autárquicas deve governar e formar o executivo, e que as assembleias municipais devem ter competências reforçadas na fiscalização da ação governativa.

João Leite deixou também dois compromissos para o mandato. O primeiro passa por uma nova configuração da cerimónia de homenagem, que em abril de 2029 deverá realizar-se junto à Porta de Armas da Escola Prática de Cavalaria, onde ficará a estátua de Salgueiro Maia, enquanto o Jardim dos Cravos acolherá um memorial com os nomes dos militares que integraram a coluna de 25 de Abril. O segundo compromisso é o início da construção da primeira fase do Museu de Abril e dos Valores Universais, um espaço que o autarca quer tornar visitável e vocacionado para a aprendizagem, reflexão e transmissão dos valores de liberdade, democracia e dignidade humana às gerações mais novas.

A intervenção terminou com um apelo à fidelidade aos ideais de Abril e à construção de uma democracia mais forte, mais próxima e mais justa. João Leite encerrou a cerimónia com vivas ao poder local, a Salgueiro Maia, à liberdade e a Santarém.

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