O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, considera que o InovMilho, em Coruche, desempenha um papel fundamental na procura de soluções para aumentar a produtividade das explorações agrícolas e responder aos desafios colocados pelas alterações climáticas, escassez de água, pragas e doenças.
Em declarações ao Notícias do Sorraia, à margem do Dia de Campo InovMilho’26, realizado a 2 de setembro na Estação Experimental António Teixeira, em Coruche, o governante destacou a importância dos centros de competências que aproximam a investigação científica da realidade dos agricultores.
“É importantíssimo para a produtividade”, afirmou José Manuel Fernandes ao NS, quando questionado sobre a importância deste tipo de estruturas para o Ministério da Agricultura e para o setor agrícola.
O ministro apontou as alterações climáticas como um dos principais desafios que tornam cada vez mais necessária a investigação aplicada à agricultura.
“Precisamos, por exemplo, de plantas mais resistentes à falta de água, ou às vezes até ao excesso dela. Precisamos de novas técnicas de melhoramento”, explicou, acrescentando que existem igualmente desafios relacionados com “pragas e doenças infestantes” que obrigam à procura permanente de novas respostas.
Investigação tem de chegar ao agricultor
José Manuel Fernandes defendeu que a investigação desenvolvida nestes centros deve ter uma aplicação prática e contribuir diretamente para melhorar as condições económicas das explorações agrícolas.
“É uma investigação que seja para resultados, para soluções”, salientou o ministro, considerando essenciais as parcerias entre universidades, organismos públicos de investigação e entidades ligadas diretamente ao setor produtivo.
Para o governante, este trabalho conjunto é “crucial para nós conseguirmos melhorar o rendimento do produtor, do agricultor”, garantindo ao mesmo tempo o cumprimento das exigências ambientais.
“O objetivo da compatibilização entre competitividade e coesão territorial e sustentabilidade ambiental tem de existir”, afirmou.
O Dia de Campo realizado em Coruche foi precisamente dedicado a várias destas matérias. O programa incluiu temas como as condicionantes e oportunidades da produção de milho em Portugal, o combate ao vírus do nanismo, a sustentabilidade do solo agrícola e as principais novidades tecnológicas aplicadas à cultura.
Os participantes tiveram ainda oportunidade de visitar os campos de ensaio e conhecer trabalhos relacionados com a produção de arroz sob pivot, agricultura resiliente, utilização de fotogrametria na cultura do milho e monitorização das culturas através de inteligência artificial e imagens de satélite.
“Agricultura de precisão, com drones, inteligência artificial e satélites”
Para José Manuel Fernandes, iniciativas como o InovMilho são igualmente importantes para mudar a perceção existente sobre a agricultura e mostrar a evolução tecnológica registada no setor.
“Temos que alterar a perceção que existe em relação à agricultura”, defendeu.
“Hoje a agricultura é uma agricultura de precisão, com drones, com inteligência artificial, satélites, cercas virtuais. É, portanto, esta agricultura mecanizada, robotizada”, afirmou o ministro ao Notícias do Sorraia.
O governante considera que esta realidade ainda não é suficientemente conhecida, sobretudo quando se procura atrair jovens para cursos e profissões ligados à agricultura. A rentabilidade das explorações será, contudo, outro fator determinante.
“Tem que existir um rendimento positivo”, afirmou José Manuel Fernandes, acrescentando que a importância do setor deverá tornar se cada vez mais evidente perante os desafios relacionados com a segurança alimentar.
“Como eu costumo dizer, comer e beber nunca vai passar de moda e, portanto, a comida na mesa é absolutamente essencial”, salientou.
InovMilho junta investigação, tecnologia e produção em Coruche
A edição de 2026 do Dia de Campo reforçou a vertente de inovação tecnológica do centro instalado em Coruche. Além dos campos experimentais, foram debatidos os desafios técnicos que se colocam à produção de milho nos próximos anos e o papel da agricultura de precisão.
O programa incluiu igualmente uma sessão dedicada à relação entre os javalis e a cultura do milho, um problema com impacto crescente nas explorações agrícolas, e a assinatura de um protocolo entre o B Rural, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, destinado a valorizar os setores agrícola e florestal junto dos estudantes do ensino superior.
A sessão de encerramento contou, além de José Manuel Fernandes, com as intervenções do presidente da ANPROMIS, Jorge Durão Neves, do presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, do presidente da Comissão de Agricultura e Pescas, Maurício Marques, e do presidente da Câmara Municipal de Coruche, Nuno José Azevedo.
Ministro anuncia reforço do apoio ao milho
À margem do encontro, José Manuel Fernandes destacou também a necessidade de Portugal recuperar capacidade de produção de cereais, reconhecendo que a taxa de autoaprovisionamento nacional diminuiu significativamente.
“Se nós olharmos para os cereais, a nossa taxa de aprovisionamento diminuiu muito”, afirmou, apontando a substituição do milho por culturas mais rentáveis como um dos fatores que contribuíram para essa evolução.
“O milho também é para nós importante. Os cereais. Por isso avançámos com a estratégia Mais Cereais”, acrescentou.
O ministro considera que aumentar a produção exige disponibilidade de água, modernização das explorações, investigação e um reforço dos instrumentos financeiros destinados aos produtores.
Nesse sentido, José Manuel Fernandes anunciou ao NS que o Governo vai “aumentar o apoio ao milho grão”, tendo como objetivo contribuir para o reforço da produção nacional e da taxa de autoaprovisionamento.
“Temos terrenos férteis que temos também de utilizar”, concluiu o ministro
