Uma mulher, com 75 anos de idade, morreu esta quarta-feira, quando se engasgou e entrou em paragem cardiorrespiratória, e teve que esperar mais de meia hora pelos bombeiros de Benavente, quando residia a apenas cerca de 9 quilómetros do quartel dos Bombeiros Municipais de Coruche.
Várias fontes ouvidas pelo NS, confirmam que o alerta para uma mulher em paragem cardiorrespiratória, residente na Fajarda, concelho de Coruche, foi dado antes das 19 horas, tendo do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) ativado os Bombeiros de Coruche e a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital Distrital de Santarém.
Depois da “saída” da Cruz Vermelha Portuguesa de Coruche, em julho, os Bombeiros de Coruche ficaram ainda mais limitados no que diz respeito a emergências médicas, tendo em conta também o número reduzido de efetivos disponíveis, apesar de terem um dos melhores parques de viaturas da região, reconhecido pelos seus pares.
Luís Coelho, Segundo-comandante dos Bombeiros Municipais de Coruche, que de momento comanda a corporação depois da saída do Comandante Nuno Coroado, no final de julho, confirmou ao NS, que na altura tinham “duas ambulâncias em serviço”, no exterior do quartel, e que não tinha mais bombeiros para enviar uma ambulância a esta ocorrência.
Após a recusa de Coruche, o CODU questionou os Bombeiros de Salvaterra de Magos, que pela mesma altura enfrentavam um incêndio e não tinham também equipas disponíveis.
Só ao terceiro contacto é que foi encontrada uma corporação, Voluntários de Benavente, que tinha disponibilidade para vir ao concelho de Coruche, socorrer a mulher que se encontrava em iminente risco de vida, que se viria a confirmar.
A vinda dos Bombeiros de Benavente à Fajarda, foi confirmada ao NS pelo Comandante José Nepomuceno, que esclareceu que “fomos solicitados e tínhamos disponibilidade de meios humanos e veículo”, pelo que puderam ocorrer à emergência médica.
Segundo o NS conseguiu apurar, os Bombeiros de Benavente, a cerca de 25 quilómetros da ocorrência, demoraram 19 minutos a chegar ao local, desde o acionamento, sendo que à sua chegada já se encontrava no local a equipa da VMER de Santarém, que demorou 18 minutos a chegar do Hospital de Santarém ao local da ocorrência.
Apesar dos esforços das equipas de socorro, a mulher, que se terá engasgado antes de entrar em paragem cardiorrespiratória, acabou por morrer no local, tendo o óbito sido declarado pela equipa da VMER.
O caso seria apenas de lamentar, mas segundo o NS apurou, há hora do alerta, estavam cinco bombeiros no quartel, afetos ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), cuja lei prevê se possam ausentar em situações de comprovado risco.
Um dos exemplos da ativação dessa equipa, foi um despiste ocorrido no último sábado, em Santana do Mato, em que a equipa de DECIR dos Bombeiros de Coruche se desmembrou, três elementos para o carro de desencarceramento e dois para a ambulância, o que fez mesmo com que o meio de socorro enviado por Salvaterra de Magos fosse desativado.
Confrontado com o facto, Luís Coelho, reconhece que há hora do alerta se encontravam no quartel os cinco operacionais, mas que o CODU na ativação dos meios de socorro não indicou que se tratava de uma paragem cardiorespiratória com eminente risco de vida, pelo que não estavam reunidas as condições legais para fazer sair dois operacionais do dispositivo.
Questionado se a permanência da equipa da Cruz Vermelha em Coruche teria sido importante para uma maior rapidez no socorro, Luís Coelho não se alongou em palavras, salientando que “era mais um meio de socorro”.
Família indignada com tempo de espera
A família da senhora que veio a falecer estava bastante indignada com o tempo de espera para o socorro, sendo mesmo necessário algum trabalho psicológico, por parte dos operacionais envolvidos no socorro, para acalmar a situação e evitar que esta pudesse escalar.
Bombeiros de Coruche não socorreram, mas transportaram cadáver
Apesar de não terem feito o socorro à senhora, os bombeiros de Coruche realizar posteriormente o transporte do cadáver para a morgue do Hospital Distrital de Santarém, onde se realizarão agora os procedimentos legais, e de acordo com o que vier a ser determinado pelo Ministério Público.
Situação começa a gerar mau estar entre corporações
Nas últimas semanas as corporações que com regularidade efetuam serviços de socorro em Coruche têm ficado indignadas com as atitudes praticadas em Coruche.
Os gratificados entregues a corporações de fora da Lezíria do Tejo, contratados através de uma empresa privada e sem que a sub-região seja consultada é uma das situações que está a gerar mau estar entre os corpos de bombeiros da região.
Neste caso específico, também o transporte do cadáver, que constituiu uma das fontes de receita importantes para os bombeiros voluntários, realizado pelos Municipais de Coruche, sabe o NS, foi alvo de reparo por parte da corporação de Benavente.
