O Instituto Politécnico de Santarém surge como a sétima instituição de ensino superior do país com mais novos estudantes inscritos em Cursos Técnicos Superiores Profissionais, CTeSP, segundo um estudo que avaliou a primeira década de funcionamento desta oferta formativa em Portugal.

No ano letivo de 2024/2025, o Politécnico de Santarém tinha 38 CTeSP em funcionamento, disponibilizou 764 vagas e recebeu 423 estudantes inscritos pela primeira vez no primeiro ano. Estes alunos representaram 3,3% de todos os novos estudantes de CTeSP registados no país.

À frente de Santarém surgem apenas os politécnicos do Cávado e do Ave, Leiria, Bragança, Porto, Setúbal e Viana do Castelo. O Politécnico de Santarém ficou imediatamente à frente do Instituto Politécnico de Coimbra, que recebeu 422 novos alunos, apenas menos um do que Santarém.

Os números colocam Santarém entre as instituições com maior peso nacional nesta formação. As dez instituições com mais novos alunos concentraram 52% de todos os ingressos em CTeSP no ano letivo analisado.

Também o ISLA, Instituto Superior de Gestão e Administração de Santarém, surge destacado no relatório. Em 2023/2024, tinha 210 estudantes em CTeSP, dos quais 61 frequentavam os cursos em regime não diurno, correspondendo a 29% do total. Este resultado colocava a instituição entre as dez do país com maior número de estudantes nesta modalidade de horário.

O estudo, intitulado “CTeSP: Avaliação de uma Década de Cursos Técnicos Superiores Profissionais”, conclui que esta formação registou um crescimento sustentado e representava já 13% dos novos inscritos no ciclo inicial do ensino superior português em 2024/2025. Os autores fazem um “balanço globalmente positivo”, embora identifiquem “alguns sinais de desvio” relativamente à missão profissionalizante que esteve na origem destes cursos.

Uma das conclusões mais relevantes prende se com o percurso seguido pelos alunos após terminarem o curso. Mais de metade dos diplomados prossegue para uma licenciatura e quase dois terços dos atuais estudantes inquiridos dizem pretender continuar no ensino superior, enquanto apenas uma minoria aponta a entrada imediata no mercado de trabalho como principal objetivo.

O relatório alerta também para problemas na ligação entre os cursos e as necessidades económicas dos territórios. Segundo o estudo, a falta de oportunidades profissionais na área da formação e na região é a principal dificuldade referida pelos diplomados desempregados.

Os autores defendem, por isso, uma maior ligação dos CTeSP às empresas e aos territórios, melhor acompanhamento dos estágios e maior participação das entidades empregadoras na definição dos cursos. O estudo recomenda ainda que esta formação seja sujeita a mecanismos de avaliação externa da qualidade que tenham em consideração a sua vocação profissionalizante.