O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS) defendeu esta quarta-feira o reforço dos apoios ligados à produção de milho para compensar os custos de produção, alertando para a necessidade de garantir a continuidade da cultura em Portugal.
“Precisamos da produção nacional, precisamos de reforçar a nossa autonomia, precisamos de uma agricultura competitiva e precisamos de garantir que aqueles que produzem conseguem continuar a fazê-lo”, afirmou Jorge Durão Neves à margem do Dia de Campo do InovMilho 2026, que decorreu hoje em Coruche.
Dirigindo-se ao ministro da Agricultura, Jorge Durão Neves defendeu o aumento dos pagamentos ligados à produção, propondo que o apoio ao milho-grão passe dos atuais 343 euros para 474 euros por hectare e que o apoio ao milho para silagem suba de 206 para 252 euros por hectare.
O presidente da ANPROMIS abordou também o impacto do aumento dos custos de produção nas culturas de primavera-verão, referindo que, apenas nos fertilizantes e combustíveis, os produtores de milho enfrentaram um acréscimo de encargos “que rondou os 300 euros por hectare”.
Embora tenha saudado a criação de uma ajuda extraordinária ao setor, considerou insuficiente o montante previsto em Portugal quando comparado com o apoio atribuído em Espanha.
“Em Espanha estamos a falar de 92,5 euros por hectare, em Portugal serão 61 euros por hectare”, afirmou, defendendo ainda a revisão do limite máximo de apoio por exploração, atualmente fixado em 5.000 euros.
A ANPROMIS propõe que esse teto seja elevado para 27.750 euros por exploração, argumentando que os produtores com maiores áreas cultivadas enfrentam igualmente maiores riscos e custos.
Durante a intervenção no Dia de Campo InovMilho 2026, que reuniu produtores, investigadores e empresas do setor, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes afirmou que a estratégia governamental para os cereais vai prosseguir, considerando o milho uma cultura estratégica para Portugal.
“Os cereais e a iniciativa Mais Cereais é para avançar”, declarou o governante perante representantes do setor agrícola, investigadores e produtores.
O ministro assinalou que a taxa de auto aprovisionamento nacional de milho ronda os 25%, defendendo que o país deve aumentar a sua capacidade produtiva para reduzir a dependência de importações.
José Manuel Fernandes observou que a taxa de aprovisionamento de cereais em Portugal tem vindo a diminuir, em parte devido à substituição do milho por culturas consideradas mais rentáveis pelos agricultores.
Ainda assim, frisou que o milho continua a ser uma cultura relevante para o país, justificando a aposta do executivo na estratégia “Mais Cereais”.
“O milho também é, para nós, importante entre os cereais, por isso avançámos com a estratégia Mais Cereais”
Neste contexto, anunciou o reforço dos apoios à produção de milho-grão, medida que enquadrou no objetivo de aumentar a produção nacional.
“Já está previsto o aumento do apoio para o milho-grão para reforçarmos a nossa taxa de aprovisionamento”, afirmou.
O ministro destacou ainda a importância da investigação, da inovação e da modernização tecnológica para o futuro da cultura do milho, defendendo o desenvolvimento de variedades mais resistentes às alterações climáticas, às pragas e às doenças, bem como a adoção de novas tecnologias que permitam aumentar a produtividade agrícola.
