A 7.ª edição do Festival Entre Quintas realiza-se no último fim de semana de junho e no primeiro de julho, no Ribatejo, e da sua programação musical, está prevista a estreia nacional de uma peça do compositor austríaco Helmut Schmidinger.
O festival realiza-se em duas quintas no Ribatejo, de 26 a 28 de junho na Casa Cadaval, em Muge, Salvaterra de Magos, e de 03 a 05 de julho, na Quinta do Casal Branco, em Almeirim.
Nesta edição, o festival alarga a oferta cultural, juntando à música palestras sobre temas da região. A primeira palestra, “A História dos Concheiros de Muge”, por Célia Gonçalves, realiza-se no dia 27 de junho, na Casa Cadaval, que é o cenário do primeiro fim de semana do certame.
A programação do festival foi hoje apresentada em Lisboa pelo seu diretor artístico, o maestro Nikolay Lalov, da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras (OCCO), a quem caberá o concerto de abertura, em 26 de junho, com um programa que inclui a abertura da ópera “Armida”, de Haydn, a sinfonia “Júpiter”, de Mozart, e as “Variações Rococó”, de Tchaikovski, sendo solista o violoncelista Alexader Somov.
O segundo dia é dedicado ao “virtuosismo musical” com Giuseppe Andaloro, ao piano, e Federica Vignoni, no violino, para interpretarem peças de Beethoven, Saint-Saëns e Piazzolla.
Ainda no dia 27, realiza-se um concerto ‘afro-jazz’ com peças do compositor moçambicano Stewart Sukuma, entre outros. Segundo Lalov, a música de Stewart “combina tradição moçambicana e contemporaneidade”.
No dia seguinte, é promovido um encontro luso-alemão, com jovens músicos do Collegium Musicum, que juntará Philipp Frings, no clarinete, Tetiana Bielikova, no piano, e Adriana Gonçalves, no violoncelo, para interpretarem os trios para clarinete, violoncelo e piano, de Beethoven, Brahms e de Carl Maria von Weber.
Este primeiro fim de semana termina com a palestra de Patrícia Leite, “Salvaterra de Magos-Capital Nacional da Falcoaria”, e um concerto pelo Amadeus Trio, em que estreia a peça “Jet Set Trio”, de Schmidinger, num programa que inclui obras de Richard Strauss, Mozart e Weber.
A Quinta do Casal Branco, em Almeirim, é o cenário do segundo fim de semana, de 03 a 05 de julho.
No dia 03, volta a ouvir-se Astor Piazzolla, num concerto que homenageia este compositor argentino e também Bach e Galliano, pela OCCO, sendo solista o acordeonista Gonçalo Pescada.
A primeira palestra, no dia 04 de julho, está a cargo de Paulo Loução, e intitula-se “Significado e Paisagens Místicas das Mil e Uma Noites”. A segunda palestra, no dia seguinte, será por Óscar Pires, e é sobre “a flora do Ribatejo”.
Musicalmente, neste segundo fim de semana, além do concerto pela OCCO, está previsto um recital pela pianista Suzana Bartal que irá tocar, de Lizst, excertos de “Années de Pèlerinage”, “Sposalizio Vallée d’Obermann”, “Sonetto del Petrarca 104”, “Venezia e Napoli”, “Les jeux d’eaux à la Villa d’Este” e “Après une lecture du Dante”.
Nikolay Lalov destacou o virtuosismo desta pianista ucraniana que iniciou o seu percurso na Universidade de Artes de Kharkiv.
No dia 04 de julho, apresenta-se a Orquestra Sinfónica de Cascais, sob a direção de Lalov, que, além de “Scheherazade”, de Rimsky-Korsakov, vai interpretar o adágio do bailado “Spartacus”, de Khatchaturian.
No dia 05, realiza-se um concerto pela Orquestra Juvenil de Cascais, sob a direção do maestro Miguel Fialho, que visa “criar o gosto pela música clássica junto dos mais novos”, como explicou à agência Lusa o diretor artístico, destinando-se às famílias. Do programa constam peças de Verdi, Grieg, João Pacheco, Prokofiev, Victór López, entre outros.
“A Arte do Bel Canto” encerra o festival, com as sopranos Inês Simões e Marina Pacheco que, acompanhadas ao plano por Pedro Lopes, interpretarão árias de óperas de Mozart, Weber e Richard Strauss.
O Festival Entre Quintas nasceu em 2020, no interesse de dar palco a jovens músicos que se encontravam impossibilitados de atuar pelas contingências impostas pela pandemia covid-19, e “tem vindo a crescer de forma assinalável”, disse o seu diretor artístico.
No ano passado gerou 20.000 euros de receitas de bilheteira, disse Nikolay Lalov, que realçou que o festival vem preencher um vazio na oferta turística da região. “Vêm pessoas de outras partes do país, além do interesse das próprias populações ribatejanas”, referindo a diminuta oferta nesta área artística.
No ano passado, segundo o responsável, assistiram ao Festival “cerca de 15.000 espectadores”.
O orçamento para a edição deste ano “aproxima-se dos 100.000 euros”, disse Lalov à Lusa.
O ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa esteve presente na sessão e usou da palavra, em inglês, para elogiar os esforços de Nikolay Lalov, no “sonho” de criar uma orquestra, da qual foi presidente, mas da qual se manteve “afastado” durante o tempo em que exerceu funções presidenciais.
Marcelo recordou ainda ser sócio do Grémio Literário, onde decorreu a apresentação, desde 1971, fazendo parte do seu Conselho Literário.
