A série “Leonor, Marquesa de Alorna”, protagonizada por Sara Matos, só chega à RTP em novembro de 2026 e depois à Netflix, mas já começou a deixar marca no Ribatejo. A Ukbar Filmes e a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo assinaram esta terça-feira, um protocolo de parceria que pretende transformar a produção audiovisual numa ferramenta de promoção do território, da sua história, da sua identidade e do seu património.

Produzida pela Ukbar Filmes para a RTP, com apoio da Netflix, a série de seis episódios parte do romance biográfico de Maria João Lopo de Carvalho sobre Leonor de Almeida Portugal, escritora, pedagoga e tradutora nascida em 1750, cuja obra poética só viria a ser publicada depois da sua morte.

Gravada em locais emblemáticos da região, nos concelhos de Almeirim e Salvaterra de Magos, a produção é vista pelas entidades envolvidas como uma oportunidade para ligar cultura, turismo e economia local.

Na cerimónia de assinatura do protocolo, Joaquim Catalão, presidente da Câmara Municipal de Almeirim, sublinhou a importância da iniciativa para a valorização da Lezíria. “Este protocolo vai permitir a promoção do nosso território, da nossa Lezíria, e é algo muito importante para o nosso turismo”, afirmou, defendendo que o concelho quer apostar no “turismo cultural, no património e também no turismo de natureza”.

O autarca aproveitou ainda para enquadrar esta estratégia nos projetos municipais em preparação, nomeadamente a criação do Museu Municipal e do Museu do Traje, que considera futuros polos de atração. “Queremos, como estratégia municipal, agarrar muito este turismo cultural e também o turismo ligado ao património”, referiu.

Também José Manuel Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, destacou o papel crescente das produções audiovisuais na promoção dos destinos. “As expressões visuais são cada vez mais um instrumento importantíssimo de promoção dos territórios e de captação de recursos turísticos”, afirmou.

Segundo o responsável, o protocolo permitirá abrir novas portas à promoção nacional e internacional do Ribatejo, com ações em feiras, festivais de cinema, conteúdos digitais e iniciativas de ativação turística. “A ideia é, onde estiver a série, o Turismo está. Quer internacionalmente, quer nacionalmente”, afirmou.

Uma das apostas passa pela criação de um roteiro turístico inspirado nos locais associados à série e à figura da Marquesa de Alorna. José Manuel Santos acredita que esta ligação pode ter forte impacto na atração de visitantes. “A criação do roteiro turístico pode ser muito interessante”, afirmou, lembrando exemplos internacionais em que séries e filmes deram origem a novos fluxos turísticos.

Pandora da Cunha Telles, da Ukbar Filmes, explicou que o objetivo da produção foi ir além da recriação histórica e criar uma ligação emocional entre o público, a personagem e os lugares onde viveu. “A coisa mais importante que nós fazemos numa obra audiovisual é apaixonar as pessoas”, afirmou.

A produtora destacou ainda a relação da série com o Ribatejo e com a memória cultural da região. “É importante que as pessoas se apaixonem pelos sítios onde ela viveu, porque isso vai fazer com que depois queiram ler os seus poemas e escritos e venham aos sítios onde ela viveu”, sublinhou.

Para Pandora da Cunha Telles, Leonor de Almeida Portugal foi também uma figura inspiradora do território. “Talvez tenha sido a primeira inspiradora do Ribatejo”, afirmou, recordando que a Marquesa descrevia árvores, rios, a lua e a paisagem que a rodeava.

A série, realizada por Tiago Alvarez Marques, tem argumento de Pandora da Cunha Telles, Mário Cunha, Cláudia Clemente e Rafael do Carmo Afonso. Além de Sara Matos, o elenco conta com Sandra Faleiro, Cristóvão Campos, Albano Jerónimo, Joana Solnado, Rita Rocha Silva, Soraia Chaves e Miguel Borges, entre outros.

Mais do que uma produção televisiva, “Leonor, Marquesa de Alorna” está a ser assumida como uma montra para o Ribatejo. “O audiovisual vai ser uma ferramenta fundamental para internacionalizar Portugal”, afirmou Pandora da Cunha Telles, garantindo que Almeirim e Salvaterra de Magos ficarão “umbilicalmente ligados” à série. Com estreia prevista na RTP em novembro de 2026 e exibição posterior na Netflix, a produção promete levar ao grande público a vida de uma mulher marcante do século XVIII português e, ao mesmo tempo, projetar o Ribatejo como território de cultura, história e turismo.

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