A Câmara Municipal de Santarém apresentou no Salão Imobiliário de Lisboa o programa “Centro Vivo 2025-2035”, uma estratégia de intervenção para a próxima década que pretende revitalizar o Centro Histórico e a Ribeira da cidade. O presidente da autarquia, João Teixeira Leite, sublinhou que a iniciativa vai além de um simples plano.
“Não é um plano, é um programa porque os planos já foram feitos ao longo das últimas décadas. O planeamento está feito. Este é um programa factual de investimento que está a decorrer”, afirmou, destacando que o objetivo passa por demonstrar que “existe um caminho, existe uma estratégia e que ela é responsável”.
O autarca explicou que o programa assenta em várias fontes de financiamento, referindo que “está assente em fontes de financiamento que são públicas, o Portugal 2030, o PRR, o investimento privado, o financiamento bancário e o próximo quadro comunitário”. Para João Teixeira Leite, a presença em eventos como o SIL é fundamental para captar investidores, garantindo que “é fundamental que tenhamos um caminho para mostrar aos investidores”.
Segundo o presidente, o projeto tem uma forte componente participativa. “A partir do dia 30 de abril o documento está para discussão pública. Todos podem fazer propostas para que ele seja melhorado e participativo”, afirmou, acrescentando que o programa “é multidisciplinar” e abrange uma vasta área da cidade, “desde a Escola Prática de Cavalaria até ao nosso rio Tejo”.
Entre as prioridades, o município pretende revitalizar várias “âncoras” estratégicas, como “a Escola Prática, o Mercado Municipal, o Presídio Militar e o Parque Natural do Tejo”, promovendo intervenções em áreas como habitação, mobilidade, cultura e segurança. “Queremos que o centro histórico seja vivido e daí o programa chamar-se Centro Vivo”, frisou.
A mobilidade e o estacionamento são apontados como questões centrais. João Teixeira Leite reconheceu que “a questão da mobilidade é fator importantíssimo para os habitantes, para os comerciantes e para os visitantes”, revelando que o município está a negociar maior autonomia na gestão do estacionamento. “Há um princípio de entendimento para, muito em breve, tornarmos público e levarmos à consideração do Executivo uma proposta que viabiliza essa autonomia na gestão”, explicou, sublinhando que tal permitirá “criar condições para os moradores, para os comerciantes e para os visitantes” e também “criar novas bolsas que a atual concessão impede”.
O presidente destacou ainda a importância da relação com o Governo e os investimentos em curso no concelho. “Aquilo que podemos dizer aos nossos habitantes é que somos ouvidos, respeitados e há consequências práticas”, afirmou, apontando exemplos como obras rodoviárias e ferroviárias em curso e adjudicadas, algumas aguardadas “há décadas”.
A proximidade a Lisboa e o impacto do futuro aeroporto foram também referidos como fatores estratégicos. “Santarém está demasiado próxima de Lisboa e essa proximidade tem benefícios e potencialidades que vão ser exploradas durante a próxima década”, disse, acrescentando que “estamos a 30 minutos da Gare do Oriente e isso tem que ser visto como algo muito positivo”.
Sobre o novo aeroporto, o autarca foi claro: “O futuro aeroporto vai ser no distrito de Santarém, em Benavente. Isso traz consequências que são fundamentais”. Para João Teixeira Leite, este contexto cria condições para atrair investimento e população, defendendo que “os investimentos privados que estão a surgir trazem a condição essencial, que é o emprego. O emprego vai trazer as pessoas e as pessoas vão trazer a dinâmica”.
O peso do investimento privado no programa foi igualmente destacado. “A fatia maior é de investimento privado”, afirmou, dando como exemplo projetos como unidades hoteleiras previstas para o Presídio Militar e para a Escola Prática de Cavalaria. “Essas unidades vão dar resposta às necessidades dos eventos do CNEMA e vão trazer pessoas para o comércio do centro histórico”, explicou.
Para o presidente da Câmara de Santarém, o momento é de concretização. “É hora de executar. Não é para amanhã, já vem de anos anteriores. Estamos a executar agora e vamos continuar a executar no futuro”, concluiu.
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