As comemorações do 25 de Abril em Santarém ficaram marcadas pelo anúncio de dois compromissos estruturantes para o concelho, assumidos pelo presidente da Câmara Municipal, João Teixeira Leite, durante a cerimónia junto à estátua de Salgueiro Maia.
Num discurso centrado na herança de Abril e nos desafios do presente, o autarca colocou a tónica na necessidade de transformar a memória em ação concreta. “Mais do que falar para o País, quero falar para todos e cada um de vós”, afirmou, antes de assumir “dois compromissos claros com Santarém para este mandato”.
O primeiro compromisso prende-se com a valorização da memória histórica ligada à Revolução dos Cravos. João Teixeira Leite anunciou que, até abril de 2029, a cerimónia evocativa passará a realizar-se junto à Escola Prática de Cavalaria, local de onde partiu a coluna militar em 1974. “Nesse lugar onde tudo começou, estará erguida a estátua do Capitão Salgueiro Maia”, garantiu, acrescentando que o espaço será requalificado para receber condignamente as celebrações.
O projeto inclui ainda a criação de um memorial dedicado a todos os militares que integraram a coluna. “Vamos erguer um memorial com os nomes de todos os heróis dessa noite repleta de bravura. Com dignidade. Com verdade. Com gratidão”, declarou.
O segundo compromisso aponta para o futuro, com a criação do Museu de Abril e dos Valores Universais. O presidente da Câmara assumiu a intenção de iniciar, ainda neste mandato, a construção da primeira fase do equipamento, tornando-o visitável. “Um espaço que não será apenas um lugar de memória, mas de aprendizagem, de reflexão e de afirmação dos valores que Abril nos deixou”, sublinhou.
Segundo o autarca, o museu terá uma vocação dinâmica e pedagógica, com especial enfoque nas gerações mais jovens. “Para que compreendam que a liberdade não é garantida, é construída todos os dias”, afirmou.
Para além dos anúncios, o discurso evocou o papel histórico de Santarém na revolução, recordando que “foi daqui que partiu a coluna militar que mudou Portugal”, e destacou a figura de Salgueiro Maia como símbolo maior da coragem e da ética de Abril.
A encerrar, João Teixeira Leite reforçou a responsabilidade coletiva de preservar e aprofundar os valores democráticos. “Abril não é apenas o que fomos, é sobretudo o que escolhemos ser”, afirmou, apelando a uma democracia “mais forte, mais próxima e mais justa”.
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