Os trabalhadores da Monliz – Produtos Alimentares do Mondego e Liz, do grupo belga Ardo, estiveram em greve durante a segunda-feira, 27 de abril, para reivindicar aumentos salariais, a retoma da contratação coletiva e a redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais.
Os trabalhadores concentraram-se à porta da unidade fabril em Alpiarça a partir das 9h30 onde estiveram em protesto por melhores condições de trabalho e salariais e contra a aplicação do Pacote Laboral. Foi ainda aprovada uma moção, entregue à administração da fábrica pelos delegados sindicais presentes.
Nessa moção os trabalhadores reivindicam várias medidas de melhoria das condições de trabalho, destacando-se o aumento do ordenado de entrada para os €1050, 25 dias úteis de férias, direito ao dia de aniversário e o aumento do subsídio de alimentação e do subsídio de turno, que nunca terá sido atualizado.
Em declarações ao NS, Marcos Rebocho, coordenador sindical do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Alimentarm, salientou ainda que a empresa já apresentou lucros significativos nos últimos anos, pelo que, na perspetiva sindical, há margem para responder às exigências salariais. Acrescentou que muitos trabalhadores recebem cerca de 945 euros e só conseguem aproximar-se do salário mínimo (após os respetivos descontos) através do subsídio de turno e do trabalho noturno, o que considera inaceitável.
“A resposta que tivemos no início deste ano foi que a situação económica mundial, a guerra e o impacto das tempestades na agricultura tornavam este um mau ano para negociar”, afirmou Marcos Rebocho, acrescentando que essa posição “tem vindo a repetir-se ao longo dos últimos anos”.
O dirigente do STIAC criticou também a estagnação da contratação coletiva, sublinhando que o contrato do setor do frio está parado desde 2003 e que as tabelas salariais não acompanham a evolução dos preços nem das funções desempenhadas. Na sua leitura, a empresa poderá estar a aguardar alterações ao Código do Trabalho para enfraquecer a convenção coletiva e facilitar a sua caducidade.
Marcos Rebocho recordou, por fim, que os trabalhadores têm conseguido avanços importantes desde a entrada do sindicato na empresa, nomeadamente na organização dos horários, nas folgas ao sábado e domingo e em direitos ligados à parentalidade. Disse ainda que a adesão à greve rondou os 80% e admitiu novas mobilizações, caso não haja resposta da administração, incluindo ações simbólicas noutros locais de Alpiarça.
Vera Neto, trabalhadora da Monliz desde 2014, afirma que nos últimos anos houve uma redução do número de trabalhadores, o que resulta em que alguns funcionários tenha que fazer “o trabalho de duas ou três pessoas”, sem que isso se tenha refletido em aumentos salariais.
“Há um acréscimo de trabalho que não tem explicação e não há uma palavra, um incentivo, nada que motive os trabalhadores”, disse, acrescentando que os salários só têm acompanhado as atualizações anuais determinadas pelo Estado.
A trabalhadora considera que o ordenado não acompanha o aumento do custo de vida, sobretudo no contexto de inflação elevada que se vai sentido no país, vincando que “é muito difícil” dar conta das despesas com o que é pago pela empresa.
“Nunca deixámos de trabalhar. Pode haver menos matéria‑prima, mas o trabalho continua todos os dias”, conclui Vera, em resposta às alegações da administração relativas à ausência de aumentos salariais devido à situação económica e ao impacto dos recentes temporais na produção agrícola.
O NS tentou contactar a administração da unidade fabril que se recusou a prestar declarações ao nosso jornal.
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