A sexta edição do “Já Te Dou o Arroz” arrancou esta sexta-feira, 11 de setembro, em Ulme, no concelho da Chamusca, colocando novamente no centro das atenções um produto que vai muito além da gastronomia. O arroz continua a marcar a paisagem, a memória e a identidade de uma freguesia onde várias gerações fizeram dos arrozais o seu modo de vida.

O festival, promovido pela Câmara Municipal da Chamusca e pela Junta de Freguesia de Ulme, decorre até domingo, 13 de setembro, no recinto de festas da vila, com gastronomia, música, artesanato, atividades desportivas e iniciativas que procuram aproximar os visitantes da tradição ligada à produção de arroz.

Na abertura do certame, o presidente da Câmara Municipal da Chamusca, Nuno Mira, destacou precisamente essa ligação entre o evento, o território e a história da população.

“É um evento com muita identidade. Se olharmos para a paisagem de Ulme, facilmente verificamos que está cercada de arrozais. Os arrozais marcam a paisagem, marcam a identidade e marcam também a tradição de Ulme”, afirmou o autarca ao NS.

Apesar de a mecanização ter reduzido significativamente a necessidade de mão de obra na produção agrícola, o arroz continua presente na economia da freguesia e, sobretudo, na memória coletiva.

“Hoje em dia, com a mecanização, as empresas e os empresários que têm arrozais têm pouca mão de obra, mas antigamente eram precisas muitas pessoas para trabalhar no arroz. Muitas gerações de Ulme trabalharam no arroz e, portanto, é um evento que acaba por marcar aqui a identidade de Ulme e das pessoas que vivem em Ulme”, salientou Nuno Mira.

Essa ligação histórica está na génese do “Já Te Dou o Arroz”, que chega este ano à sexta edição e procura transformar durante três dias um produto agrícola num elemento agregador da comunidade, atraindo simultaneamente visitantes de outros pontos da região.

O arroz surge à mesa de diferentes formas. Há receitas tradicionais, propostas de cozinha de autor, arroz-doce e, numa das novidades deste ano, sushi. Nos “Canteiros de Arroz”, vários chefs apresentam pratos preparados a partir daquele que é o ingrediente principal do festival.

Para Nuno Mira, a diversificação da oferta permite manter a tradição, mas também chegar a novos públicos.

“Principalmente, a inovação acaba por estar na diversidade da oferta de pratos com arroz. Temos aqui vários chefs e temos um espaço novo. Este ano vamos ter sushi, que é um prato muito apreciado, principalmente pelas novas gerações”, explicou.

O presidente da Câmara sublinha que o objetivo passa por oferecer alternativas para diferentes gostos, sem afastar a gastronomia mais tradicional.

“Quem gostar de comida mais tradicional pode vir a Ulme. Quem gostar de novidades, de cozinha de chef ou de sushi, também tem aqui um espaço dedicado a essa população que gosta de coisas diferentes e diversificadas”, afirmou.

Entre as propostas gastronómicas previstas ao longo do fim de semana encontram-se o carolino de tomate malandrinho com petingas fritas, arroz de forno de aves e enchidos e carolino cremoso de pernil com crocante de enchidos. Cada kit de degustação custa 10 euros e permite provar dois pratos.

Mas o festival não vive apenas da componente gastronómica. O evento assume também importância para o movimento associativo local e para as instituições da freguesia.

Nuno Mira destacou o papel do Centro de Apoio Social de Ulme, CASULME, para quem estes três dias representam também uma importante oportunidade de angariação de receitas.

“Este é um evento muito importante para a CASULME. A CASULME consegue aqui, em três dias, angariar vários milhares de euros, que são muito importantes para fazer face às despesas que esta IPSS tem ao longo do ano”, referiu.

O autarca destacou ainda a importância social da instituição para uma população envelhecida, sublinhando que esta “presta cuidados muito importantes às pessoas mais envelhecidas desta freguesia”. O CASULME é uma Instituição Particular de Solidariedade Social sediada em Ulme e dedicada ao apoio à população idosa.

Além da gastronomia, o recinto acolhe artesanato e diferentes momentos de animação, enquanto o programa inclui ainda a caminhada pelo Trilho dos Arrozais, que leva os participantes a conhecer uma das paisagens que melhor explica a razão de ser do próprio festival.

A componente musical prolonga a festa pela noite. Afonso Dubraz atua esta sexta-feira, seguindo-se os Time Travel. No sábado sobem ao palco os Bandidos do Cante e a DJ Joana Perez, enquanto os RH+ encerram a programação musical no domingo.

Mais do que promover pratos de arroz, o “Já Te Dou o Arroz” procura, durante três dias, devolver protagonismo a uma cultura agrícola que moldou Ulme. Uma ligação que Nuno Mira resume através da própria paisagem da freguesia, onde os arrozais continuam a recordar a história de quem ali viveu e trabalhou.

Até domingo, é precisamente essa identidade que volta a ser servida à mesa.