Atinge-se esta segunda-feira, 4 de maio, a marca de 100 dias da tempestade Kristin que varreu Portugal quase de Norte a Sul, com o distrito de Santarém a a ser um dos mais afetados. Embora a destruição não se tenha aproximado sequer do que aconteceu em Leiria, três meses depois ainda há quem sofra as consequências de uma das maiores tempestades que assolou o solo lusitano.

Na Caniceira, na freguesia de Vale de Cavalos, concelho da Chamusca, ainda há mais de 70 pessoas que, passados três meses, continuam sem ter acesso aos serviços de telecomunicações contratados à operadora MEO. Em declarações ao NS, a presidente da Junta de Freguesia, Joana Gonçalves, explicou que ainda há seis postes da operadora caídos que não foram reparados, ainda que a indicação da MEO, após contactos formais, apontasse para que a situação estivesse resolvida a 10 de março. A autarca tem contactado várias instituições, sendo uma delas a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) que em resposta à autarca garantiu que não havia nenhuma avaria reportada por parte da MEO. A edil também contactou a DECO, mas refere ao NS que não obteve qualquer resposta.

Já dos contactos com a MEO apenas conseguiu que lhe dessem prazos para a resolução que não foram cumpridos, estando já a autarca em diligências junto de outras operadoras para garantir a instalação da infraestrutura de fibra ótica na freguesia.

Para além dos constrangimentos causados à população, os postes caídos e os fios soltos já causaram um acidente de viação, depois de um veículo pesado ter ficado enrolado nos fios e se ter despistado.

Ainda que o serviço não funcione há três meses, as faturas continuam a chegar. E chegam com os valores praticados por um serviço a funcionar. Ana Monteiro, residente na Caniceira, conta ao NS que só no mês de abril lhe chegou uma fatura de €116, onde para além dos serviços contratados, que não funcionam, lhe cobraram erradamente um telefone portátil que não faz parte do serviço.

Á moradora, que diz tentar falar com a empresa todas as semanas, deram vários prazos para a resolução do problema, com último a ser 10 de abril, mas não teve qualquer efeito. A solução que apresentam na maioria das vezes é a substituição do contrato pelo serviço de satélite, uma tecnologia que Ana Monteiro diz ser “praticamente obsoleta” e que tem um sinal muito fraco na localidade.

“Não querem investir em melhorar o serviço e pôr fibra. Já me disseram que só equacionam isso se for um investimento para uma empresa”, lamenta a moradora, que conta ainda que já lhe chegaram a dizer que tinham registo de estar um técnico no local para reparar a avaria quando, segundo Ana Monteiro, não havia ninguém a fazer reparações aos postes caídos.

“Há aqui pessoas idosas que a única companhia que têm é a televisão, e há três meses que nem isso têm”, lamenta, acrescentando que durante o dia vão se socorrendo da companhia das vizinhas e vizinhos, mas que há noite ficam na solidão total. Os serviços de telemóvel também estão afetados na freguesia, com muito pouca, ou nenhuma rede, o que acaba também por deixar em perigo uma franja mais frágil da população em caso de emergência.

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