O movimento Volta Coruche/25 – Dionísio Mendes realizou, na Fajarda, o “Encontro da Primavera”, uma iniciativa dedicada à reflexão política, participação cívica e definição de prioridades para o futuro do concelho de Coruche.

A sessão, realizada no passado sábado, serviu para fazer um balanço dos primeiros seis meses de atividade política do movimento, que reafirmou o compromisso com “uma oposição de proximidade, participação e fiscalização”, identificando várias áreas prioritárias de intervenção no concelho.

Ao longo do encontro foram analisados temas debatidos na Câmara Municipal, Assembleia Municipal e assembleias de freguesia, com destaque para saúde, proteção civil, cheias, PRR, turismo, ambiente, educação, obras públicas, acessibilidades, funcionamento democrático das freguesias e a situação da ERPI da Fajarda.

Entre as críticas deixadas pelo movimento esteve a resposta às populações afetadas pelas cheias. O Volta Coruche/25 considerou que existiu “ausência de apoio mediado pela Câmara Municipal e pelas juntas de freguesia às populações afetadas”, sobretudo no acompanhamento à submissão de candidaturas de apoio.

Segundo o movimento, “outros concelhos disponibilizaram mecanismos de acompanhamento mais próximos às famílias afetadas”, situação que considera não ter acontecido em Coruche.

Foi ainda referida “a não aprovação de candidaturas municipais relacionadas com espaço público e equipamentos”, bem como atrasos ou indefinições em projetos considerados estruturantes para o concelho.

Entre esses projetos, o movimento destacou o Centro de Saúde, a Escola Secundária, o Centro Cultural de Coruche, o Centro Materno-Infantil do Couço e o antigo edifício da Zona Agrária/Encostatamim.

Na análise política apresentada durante o encontro, o Volta Coruche/25 considerou que “a atual maioria relativa do PS tem funcionado, na prática, com apoio ou viabilização do PSD”, cenário que, segundo o movimento, “não corresponde à expectativa criada junto do eleitorado”.

O futuro das freguesias rurais foi um dos temas centrais da iniciativa. O movimento defendeu “maior transparência, diálogo institucional e valorização dos territórios fora da vila”, alertando para dificuldades no funcionamento das assembleias de freguesia e para os impactos do processo de desagregação de freguesias.

Nesse âmbito, foi referido o litígio entre a Freguesia de Coruche e a União de Freguesias da Fajarda e Erra, que o movimento considera ser “consequência da herança política deixada pelo atual presidente da Câmara”.

Na área social, o envelhecimento da população foi assumido como “uma prioridade estratégica”, com o Volta Coruche/25 a defender o reforço do apoio domiciliário, a criação de redes de proximidade para idosos isolados e o desenvolvimento de projetos de animação sociocultural e voluntariado.

O movimento propõe ainda uma maior articulação entre Câmara Municipal, juntas de freguesia, IPSS, bombeiros, saúde e GNR, bem como a criação de “uma bolsa local de cuidadores e acompanhantes”, articulada com o IEFP e entidades locais.

No plano económico e estratégico, o encontro abordou temas como habitação, emprego, fixação de jovens, integração da população imigrante e o impacto do futuro aeroporto na região.

Segundo o movimento, “o concelho precisa de discutir o impacto do novo aeroporto, as acessibilidades, a atração de investimento e a valorização dos recursos locais numa perspetiva de longo prazo”, defendendo a construção de uma visão estratégica para “Coruche 2050”.

O encontro terminou com a aprovação da criação de uma associação de direito privado destinada a dar sustentabilidade organizativa ao projeto político e cívico do Volta Coruche/25.

Com esta iniciativa, o movimento afirma reforçar o compromisso com “uma política de proximidade, transparência e participação ativa”, defendendo “soluções concretas para os desafios do concelho” e “uma maior valorização das populações e dos territórios rurais de Coruche”.